Democracia é quando manda os Estados Unidos. Se qualquer outro manda mais que eles em determinado lugar do mundo, são seus inimigos. Mesmo que os opositores à política americana tenham sido eleitos democraticamente, melhor, nos moldes da democracia ocidental.
É notório que a certos povos o modelo ocidental não é viável. Tal percepção ficou patente com a democrática invasão do Iraque. Bem ou mal, o governo iraquiano de então mantinha o país sob controle. A um certo custo, certamente. Agora, as facções étnicas matam-se pelo ódio e matam os ocupantes anglo-estadunidenses também, em quantidades muito maiores do massacre de Dujail. Não é justificar um massacre com outro, mas são fatos. Morreu muito mais gente durante o período de ocupação do que no governo Hussein.
Mais recentemente, a mídia brasileira e os estadunidenses têm rosnado contra o governo venezuelano de Hugo Chávez. Alguns já cometeram a sandice de chamá-lo ditador. Porém, oras, não me parece que ele tenha dado golpe algum: foi eleito por voto direto (o que é muito mais legítimo do que a eleição representativa estadunidense), a Constituição foi revista e promulgada por referendo popular. Chávez foi reeleito; e se sua reeleição infinita for aprovada pelo povo?
Acredito que para o Departamento de Estado dos EUA, só é democracia quando vai parar no trono alguém que lhe interessa; e a alternância necessária do poder, só é interessante quando alguém que não interessa aos estadunidenses cai fora em favor de alguém que lhe é simpático.
Por sorte, foi o tempo que os EUA interferiam mais diretamente no que era (é) considerado o seu “quintal”, a América Latina. Por mais que neguem, houve participação logística dos EUA no golpe de 1964 – documentos recentemente liberados pela CIA demonstram isso. Caso a ofensiva dos militares malograsse, havia navios americanos, no litoral nordestino, à beira das águas territoriais prontos a dar apoio logístico. A ligação ainda não foi assumida, mas no dia 31 de março de 1964 havia, pelo menos, quatro navios de grande da Marinha Americana a distância considerada comprometedora.
Reza a lenda que o Comandante Militar da IV Região (São Paulo), telefonou a Goulart e disse que era só ele ordenar e os Militares dos batalhões e companhias da IV Região começariam as contra-operações. Algumas ligações foram feitas. Goulart recusou todas: não queria desencadear uma guerra civil. Tinha condições de resistir e não o fez para evitar a guerra. Desconfio que sabia do “algo mais” que poderia estar a esperar no Atlântico. Não importa o que pensou, Goulart é herói de sua gente e do seu tempo: independente de não resistir simplesmente somente contra as Forças Armadas ou contra as Forças Armadas auxiliadas logisticamente pelos estadunidenses, evitou o que poderia ter sido o maior conflito das Américas no século XX, algo que poderia comparar-se em magnitude à Guerra Civil Espanhola.
O caderno “Mais!” da Folha de São Paulo de 22.04.2001 publicou matéria sobre a forte e subterrânea ligação do governo Médici e o governo Nixon; a estratégia da Casa Branca era, primeiramente fazer com que o governo brasileiro se sentisse importante e decisivo. Cito parte do artigo de Marcio Aith:
“Inflar o ego do Brasil. 27 de março de 1972. Num telegrama de quatro páginas, o presidente Richard Nixon relata a Médici o saldo de sua viagem à China. Com esse relato, Nixon cumpre o que prometera a Médici em dezembro de 1971, durante visita do ditador brasileiro a Washington. Nixon informa a Médici que, durante seu encontro com o líder revolucionário Mao Tse-tung e com o premiê Chou En-Lai, se discutiram formas de impedir o uso da força para solucionar controvérsias entre os dois países. Nixon diz ainda ter deixado claro para Mao que, apesar da visita histórica, os EUA manteriam suas relações e a defesa e soberania de Taiwan. O presidente conclui o telegrama dizendo que, durante a sua conversa com Mao, se lembrou frequentemente [sic] dos diálogos que tivera com Médici.”
Num memorando do general Vernon Walters a Henry Kissinger, fac-similado no mesmo artigo, pode ler-se, com um certo tom de “isenção”:
“In 1964 a hostile government was replaced by a friendly and cooperative one supported by the military but in which military ministers were a minority […]”
Governo hostil. E cômodo o uso de uma estrutura de voz passiva na frase. Cômodas muletas que o inglês nos dá. Goulart, presidente democraticamente eleito, ainda mais, pois, antes de 1964, pela Constituição de 1946, elegiam-se presidente e vice-presidente em chapas separadas. Hoje, ganhamos o vice na promoção: vote em um, eleja dois. Goulart tinha mais legitimidade como presidente do que teve Itamar Franco ou teria, caso viesse a ocupar o Planalto, José Alencar.
Também “ajuda logística” foi fornecida pela CIA no episódio da Guerrilha do Araguaia. A Agência de Inteligência americana monitorava o conflito e vigiava militantes comunistas. E os empréstimos concedidos a uma baixa taxa de juro durante os anos 1970, teve um outro tipo de juro muito mais caro. As relações Brasil-EUA eram, de fato, muito mais que carnais.
O mais engraçado é que, àquela época, os EUA não se importavam nem um pouco de apoiar ditaduras; muito embora se considerassem (e ainda se consideram) o bastião da liberdade dos povos. O Brasil ainda teve certo pudor em disfarçar a ditadura numa “democracia indireta”. As velhas apostilhas do OSPB e EMC (Organização Social e Política Brasileira e Educação Moral e Cívica) não me deixam mentir: elegíamos um congresso de títeres que, evidentemente, elegia o presidente que o Exército indicava. O vice geralmente era um civil mas, mesmo no caso de problemas com o titular, o vice era impedido de assumir, como chegou a acontecer, sendo substituído o presidente por uma Junta Militar.
Em alguns países, essa roupagem democrática sequer foi adotada: assim foi na Bolívia, na Argentina, no Chile, no Uruguai. Nesses países como no Brasil, alcunhou-se oficialmente o movimento golpista de revolução. Aprendíamos que era a Revolução de 1964.
É essa a democracia estadunidense para os outros: eles atiram nos nossos pés e nós dançamos no ritmo da bala.
Que coisa mais “enragée”, Sérgio. O fato é que existem níveis de democracia, e certamente eles são tão altos quanto mais preservada fica uma Constituição aclamada pelo povo. Isso é verdadeiro no caso dos Estados Unidos, mas não o é quando vemos o que acontece na Venezuela. Lá, há um governante claramente inescrupul0so e vil, que sujeitou o Poder Legislativo a seu mando para eleger-se por vezes indefinidas, e tudo isso usando como pretexto a frágil e volúvel vontade popular. As promessas de Chávez são ilusórias, sua retórica é falaciosa, sua “revolução bolivariana” é apenas uma reciclagem do velho nacionalismo caudilhesco, revestida de um verniz socialista. Apoiá-lo é indecente, a meu ver. Pela democracia, é possível eleger seus inimigos também, como nos demonstrou o século passado. Ele também nos demonstrou que a “vontade do povo”, muitas vezes, é uma coisa doentia, é a vontade do pior.
Sim, fato que existem níveis de democracia. E está provado que um nível único não é para todos; o problema é justamente a «homogenização» das instituições. Há países que se dão bem com uma república unitária, pois se lhe fossem dadas autonomias regionais, partir-se-ia: é o que ocorre com o Iraque, vão fazer dele uma federação condenada ao fracasso.
Não é questão de apoiar Chávez. Inclusive, não é questão nossa: os venezuelanos que se entendam com ele. Se ele subverteu o legislativo, conseguiu fazê-lo sem sair da legalidade. Brechas na lei e chafurdá-las, lá como cá, bem sabemos, não é considerado crime. Se a Revolução Bolivariana ou qualquer outro nome que tenha é uma falácia, também não nos interessa. O que temos de resguardar são os nossos interesses frente à Venezuel, mas desde o território nacional e às limpas, não por baixo do pano e invasivamente como fazia (e faz) os EUA.
Agora, quanto ao povo ter miolo mole, nem é culpa dos políticos – que desse apanágio se aproveitam. Se o povo não sabe votar, a minoria que sabe paga. É só ver a nossa representação parlamentar em Brasília para próxima legislatura.
Mas o que não se pode esconder é o papel nefasto que os EUA desempenhou na América Latina. Fiquei surpreso em saber que Kissinger ganhou um prêmio Nobel…
Nosso amigo H. Chábez não brinca em serviço. Em Santa Elena de Uairén, uma espécie de Ciudadeleste amazônica, vi numersos muros grafitados com uma propaganda (governamental) favorável ao Mercosul(r). Nela, abraçados em posição-de-foto, jogadores de futebol de cada país da dita comunidade mercolada sorriem para o recém-chegado companheiro venezo-caribenho. O jogador com a camisa canarinho é preto; o argentino tem louros mullets; o boliviano, pele encobreada.
DITADURA IMPERIALISTA DO CAPITAL DISFARÇADA DE “DEMOCRACIA”.
Na realidade a Democracia ainda é uma grande utopia. A Democracia não são apenas as eleições mas também a possibilidade real da grande maioria absoluta da população influir, participar e decidir. Não existe modelo autêntico ou forma perfeita e exemplar de Democracia, pois cada povo busca construir a democracia de acordo com as suas próprias realidades sociais, politicas e econômicas, visando sempre assegurar sua soberania e independência nacional. É preciso pensar bem no que seja realmente e de fato uma verdadeira Democracia. Assim sendo a vontade de um povo tambem pode ser considerada em forma de Democracia quando acontece de dezenas de milhões de pessoas cheguem a conclusão de que não se pode continuar a viver assim, e desta forma escolhem o caminho da Revolução Social e de Libertação Nacional. Os Estados Unidos da América que se julgam os campeões de “Democracia” por exemplo não passam de uma Ditadura da Burguesia e do Capital Monopolista; ditadura essa que não permite nenhuma ameaça ao seu domínio, que não pode ser contrariada e nem ter oposição, pois o capital e os interesses da burguesia tem que ser defendido a qualquer custo. A dita “Democracia” nos Estados Unidos da América não passa de uma grande fraude um engodo, uma farsa, um faz-de-conta apenas para dizer e enganar. Toda ruidosa propaganda de “Democracia” nos Estados Unidos da América não é senão uma capa fina por traz do qual fica cada vez mais difícil de não esconder a Grande Ditadura Burguesa do Capital Monopolista. Os Imperialistas dos EUA que usam de estratégia as duas palavras consideradas chave “Liberdade e Democracia” que quando usadas politicamente apenas são “fachada” para justificar todos os seus atos de agressões e ambições Imperialistas e de dominação. Existem nos Estados Unidos apenas dois partidos grandes que se revezam e se perpetuam no poder a anos, e representam e defendem os interesses do grande capital. O Partido Democrata e o Republicano que são dois partidos do Grande Capital Monopolista e um pelo outro é a mesma coisa e não acrescentam em nada, os dois simulam que fazem oposição um ao outro, são farinha do mesmo saco, é como trocar seis por meia dúzia, os dois contribuem sobremaneira para diminuir a influência de outros partidos, e até ajudam a manter o povo prisioneiros na Ideologia da Burguesia. Os eleitores são enganados de forma eficaz ao pensarem que votando em um ou outro desses dois partidos haverá mudanças mas nada acontece, e basta que se observe no que ocorre na politica dos Estados Unidos da América quando ficam criando pretextos para dominar o mundo através da força bruta, belicista, agressiva e terrorista. Os dois partidos que tem grande espaço nos meios de Comunicação Social e nas Agências de Publicidade e é exatamente essas que se encontram sob o domínio da classe dominante, que embora menor, é toda poderosa .
É bem verdade que nos EUA existem outros partidos mas que não tem a mínima chance de concorrer com esses dois, isso porque a Legislação dos EUA dificulta no máximo a participação de outros partidos nas eleições inventando inúmeros subterfúgios e obstáculos jurídicos entre eles por exemplo, a necessidade de recolherem muito milhares de assinaturas num prazo curto realizada em presença de testemunhas e registradas notoriamente a obtenção de Licenças para os coletores de Assinaturas,etc. E mesmo se os outros partidos conseguirem vencer todas as barreiras, as comissões eleitorais privam-nos frequentemente da possibilidade de participarem nas eleições sob o pretexto de as “assinaturas serem ilegíveis” ou outro qualquer pretexto inventado. O povo de cada país tem direito de lutar pela sua Libertação Social e Nacional. Alguns países que tentam tornar-se livres, soberanos e independentes e que buscam seguir o caminho da construção do desenvolvimento democrático conforme a sua realidade politica e social. O governo que não fizer o que os estadunidenses querem , esse governo é rotulado de Ditadura pelo Império. Os estadunidenses tentam de todas as formas se passarem como Paladinos da “Liberdade e Democracia” e até usam isso como táctica na criação de pretextos para invadir países que não queiram ficar de “joelhos” e sob seu controle e dominio. Os Imperialistas dos EUA que invadem países para se apossarem e saquearem as riquezas naturais, objetivando aumentar seu poderio, fortalecer sua economia e aumentar sua influência. Os Imperialistas dos EUA que usam de maneira estratégica as duas palavras consideradas chave “Liberdade e Democracia” mas se algum povo realmente desejar ser livre, independente e soberano; e optar em construir o seu desenvolvimento para adaptar a sua realidade politica e social e com isso venha contrariar os interesses do Império dos Estados Unidos da América, a tão propalada “liberdade e Democracia” que os Imperialistas tanto afirmam defender, deixa logo de existir, e vem perseguições, golpes, massacres, repressões e guerra.