Granada de bolso

78. «So aus Lenin’schem Geist…»

Segunda-feira, 19-Fev-2007 · Deixe um comentário

Sempre acabo pondo letras de músicas ou poemas quando estou sem idéias sobre o que escrever ou algo para comentar. Perdão, mas não vou comentar sobre o menino que morreu arrastado por seis quilômetros preso pelo lado de fora do carro, pelo cinto de segurança. Compunjo-me, mas já muita gente disse e desdisse sobre. Nem vou pôr-me a escrever sobre o comerciante japonês morto por assaltantes em São Paulo. Nem sobre a aposentada que morreu em plena calçada atingida por uma roda de que se soltou de um caminhão. Nem dos buracos do metrô dos ratos amarelos. Mas vou pôr aqui a letra de uma música que chama a atenção para diversos causadores desses incidentes: miséria, mesquinhez, desigualdades. Foi composta nos anos 80 do século XIX e continua atualíssima. Não vos parece que é sinal de que a Humanidade continua a mesma e não aprende a lição?

A Internacional
Música: Pierre Degeyter
Letra em português: Neno Vasco

De pé, ó vitimas da fome!
De pé, famélicos da terra!
Da ideia a chama já consome
A crosta bruta que a soterra.
Cortai o mal bem pelo fundo!
De pé, de pé, não mais senhores!
Se nada somos neste mundo,
Sejamos tudo, oh produtores!

Bem unidos façamos,
Nesta luta final,
Uma terra sem amos
A Internacional
Bem unidos façamos,
Nesta luta final,
Uma terra sem amos
A Internacional

Senhores, patrões, chefes supremos,
Nada esperamos de nenhum!
Sejamos nós que conquistemos
A terra mãe livre e comum!
Para não ter protestos vãos,
Para sair desse antro estreito,
Façamos nós por nossas mãos
Tudo o que a nós diz respeito!

Bem unidos façamos,
Nesta luta final,
Uma terra sem amos
A Internacional
Bem unidos façamos,
Nesta luta final,
Uma terra sem amos
A Internacional

Crime de rico a lei cobre,
O Estado esmaga o oprimido.
Não há direitos para o pobre,
Ao rico tudo é permitido.
À opressão não mais sujeitos!
Somos iguais todos os seres.
Não mais deveres sem direitos,
Não mais direitos sem deveres!

Bem unidos façamos,
Nesta luta final,
Uma terra sem amos
A Internacional
Bem unidos façamos,
Nesta luta final,
Uma terra sem amos
A Internacional

Abomináveis na grandeza,
Os reis da mina e da fornalha
Edificaram a riqueza
Sobre o suor de quem trabalha!
Todo o produto de quem sua
A corja rica o recolheu.
Querendo que ela o restitua,
O povo só quer o que é seu!

Bem unidos façamos,
Nesta luta final,
Uma terra sem amos
A Internacional
Bem unidos façamos,
Nesta luta final,
Uma terra sem amos
A Internacional

Nós fomos de fumo embriagados,
Paz entre nós, guerra aos senhores!
Façamos greve de soldados!
Somos irmãos, trabalhadores!
Se a raça vil, cheia de galas,
Nos quer à força canibais,
Logo verá que as nossas balas
São para os nossos generais!

Bem unidos façamos,
Nesta luta final,
Uma terra sem amos
A Internacional
Bem unidos façamos,
Nesta luta final,
Uma terra sem amos
A Internacional

Pois somos do povo os ativos
Trabalhador forte e fecundo.
Pertence a Terra aos produtivos;
Ó parasitas deixai o mundo
Ó parasitas que te nutres
Do nosso sangue a gotejar,
Se nos faltarem os abutres
Não deixa o sol de fulgurar!

Bem unidos façamos,
Nesta luta final,
Uma terra sem amos
A Internacional
Bem unidos façamos,
Nesta luta final,
Uma terra sem amos
A Internacional

Versões variegadas.

Categorias: Atualidades · Brasil · Comunismo · Música · Poesia · Política

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