Granada de bolso

155. Mensagem institucional do Presidente da Generalitat

Terça-feira, 11-Set-2007 · 1 Comentário

José Montilla, presidente da Generalitat pelo Dia da Catalunha deste ano.

«As instituições e o povo da Catalunha, a despeito do tempo, convertemos o Onze de Setembro em dia de recordação e homenagem àqueles que lutaram e deram suas vidas pela liberdade do nosso país. Porém, soubemos ainda transformar o Dia em motivo de orgulho e celebração daquilo que desenvolvemos como nação.
Uma geração após outra, fomos juntando as forças de todos os que afirmavam livermente: “A Catalunha é a minha casa”, “A Catalunha é a minha terra”, “A Catalunha é a minha pátria”. Todos nós conseguimos que o nosso país fosse uma terra acolhedora, aberta e generosa, e que todos os catalães, tanto os aqui nascido quanto os vindos de fora, estimamos e respeitamos a nossa história, a nossa língua e a nossa cultura.
A nossa história é uma história de êxito colectivo. De superação de dificuldades, de tenacidade construtiva, de trabalho sério, de solidariedade, de ambição compartilhada. A Catalunha, nos últimos cem anos, viveu períodos luminosos e criativos e outros de muita dor e cheios de adversidades. Mas sempre os superamos.
Em outubro próximo, completar-se-ão trinta anos da restauração da Generalitat e do retorno do presidente Josep Tarradellas, o seu centésimo vigésimo quinto presidente.
Desde então, vivemos o período mais longo e fecundo de normalidade política e institucional da Catalunha contemporânea, pela mão dos presidentes Jordi Pujol e Pasqual Maragall. Na ocasião do Onze de Setembro deste ano, o Governo da Catalunha quis conceder-lhes a Medalha de Ouro da Generalitat, em sinal de reconhecimento e agradecimento.
Os últimos anos foram certamente complexos e cheios de mudanças. No terreno social, a Catalunha recebeu centenas de milhares de pessoas que buscavam em nossa casa uma oportunidade para suas vidas. A sociedade catalã está conseguindo integrar, os recém-chegados, tanto pelo que faz no concernente aos seus direitos como a exigência dos seus deveres. Se bem o fizermos, trabalhando desde o compromisso social, a Catalunha de amanhã será mais forte.
No terreno econômico, a evidência implacável do mundo globalizado obriga-nos a fazer um esforço permanente para sermos mais competitivos. Algumas empresas pereceram mas, afortunadamente, criaram-se tantas outras novas e outras tiveram oportunidade de crescer e prosperar. E o balanço permite-nos seguir avançando na prosperidade e no bem-estar. Se bem o fizermos, trabalhando com rigor econômico, a Catalunha de amanhã será mais forte.
No terreno cultural, alguns acreditavam que a globalização poderia ameaçar o futuro dos nossos principais valores culturais ou a nossa língua. Porém foi demonstrado mais uma vez que a língua catalã tinha uma força extraordinária e que, com vontade por parte de uns e generosidade de todos, fomos capazes de fazê-la crescer no conhecimento e uso social. Por outro lado, daqui a poucas semanas a nossa língua e a nossa cultura terão uma oportunidade extraordinária de projetar-se ao mundo graças à Feira de Frankfurt. Se bem o fizermos, trabalhando com ambição cultural, a Catalunha de amanhã será mais forte.
No terreno político, vivemos um período muito intenso. Tem pouco mais de um ano que o novo Estatuto entrou em vigor e começamos a pô-lo em ação com realismo e decisão. O Estatuto é um grande progresso: reconhece como nunca antes a nossa realidade nacional; dá-nos mais e melhores ferramentas para nos governar; e estabelece claramente que a Catalunha tem de dispor de mais recursos, tanto para exercer as suas competências como para fazer os investimentos que necessitamos e que durante muitos anos nos foram regateadas. Peço-lhes que tenham confiança. Estejam certos que se bem o fizermos, quer dizer, projetando o nosso horizonte político a partir do realismo, para ir mais longe, a Catalunha de amanhã será mais forte.
O nosso objetivo é o progresso econômico, social, cultural e nacional da Catalunha. É um objetivo que nos demanda um esforço constante e uma atitude positiva para fazer frente às dificuldades do caminho.
No curso desses últimos meses, muitos de vocês sofreram os problemas causados por diversas e eventualmente reiteradas deficiências no funcionamento de alguns serviços públicos. Falo-lhes sinceramente: há motivos para mal-estar. E peço-lhes desculpas mais uma vez.
As inconveniências que esses incidentes provocaram são irrefutáveis. Em alguns casos, os problemas são por razões bem concretas como as obras do trem de alta velocidade. Porém, noutros casos, surgiram por causa de tantos anos sem as inversões e de uma manutenção menor do que a necessária.
Porém, com a mesma sinceridade quero dizer-lhes que estamos trabalhando valentemente para resolver os inconvenientes e que, no próximos meses, a situação melhorará. A preocupação e o desprazer justificados não devem conduzir-nos ao pessimismo. Porque hoje se está investindo como nunca na melhoria das nossas estradas e auto-estradas, e na melhoria do serviço ferroviário, não tão-somente pela chegada do trem de alta velocidade, e especialmente, a melhoria no serviço de trens de subúrbio.
Os cidadãos da Catalunha têm todo o direito a ter esperança e exigir que os serviços públicos funcionem melhor e de maneira mais eficiente. Não apenas em Barcelona e em sua conurbação metropolitana, e sim, em todo o país.
Disso estou seguro: se fizermos as coisas bem – e assim as faremos -, ou seja, com compromisso, rigor, ambição e com bases reais, a Calatunha do futuro tornar-se-á mais equilibrada e seremos mais fortes.
De tudo que lhes falei, como presidente da Catalunha, assumi, em todo instante a responsabilidade. Como a assumiran o Governo e todos e cada um dos servidores públicos. Mas esta exigência, este senso de responsabilidade, duma maneira ou de outra, temos de assumi-la todos, cada um ao nível que lhe corresponda, a empresa, o comércio, a universidade, as escolas, aos centros de saúde, os serviços públicos em geral.
Porque se como país abdicarmos da nossa responsabilidade coletiva, corremos o risco de perder a batalha pelo futuro. É a minha confiança nesta responsabilidade coletiva, a que me faz afirmar que não há motivos para desanimar. Ao contrário: há motivos para ter esperança no nosso futuro.
Creio que estamos mais próximos que nunca do sonho de transformar a catalunha num país de homes e mulheres livres, que dá as mesmas oportunidades a todos. Hoje podemos voltar a pensar na Catalunha grande, orgulhosa das suas raízes e da sua identidade lingüística e cultural, aberta a novas vozes, segura do seu futuro. És a partir desta convicção que lhes quis falar nesta noite. E é a partir da tomada de consciência que a Catalunha está em condições de tornar-se a pátria “rica i plena” que desejamos, que os convido a participar ativamente e nos atos cívicos da nossa Festa Nacional, demonstrando o máximo respeito por todas as expressões e manifestações da nossa pluralidade.

Viva a Catalunha!»

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