Clamo aos meus velhinhos entediados. Não saem mais para beber e deram de encasquetar com a língua; não lhe bastam mais as tenras infusões e as delicadas madalenas; não, eles têm de implicar com diacríticos e hífens inofensivos.
Lancemos uma grande campanha em prol dos membros da Academia Brasileira de Chá e Bolacha: se eles, em assembléia, abandonam a idéia de tirar o acento de idéia e a assembléia e desistam de cancelar os tremas das lingüiças, nós, o povo, comprometemo-nos a manter o estoque de viagra em dia e fornecer – vejam só, que prodígio! -fardões com fraldas geriátricas embutidas. Assim, se evitam inconvenientes vários: nossos acadêmicos não se borram e nem borram na língua.
A reforma é uma questão somente de tédio. Se nossos velhinhos de fardão tomassem cerveja ao invés de chá, estaríamos todos de acordo, ninguém mexeria na grafia da língua e fariam um churrasco nos fundos da casa de Machado de Assis.
E aliás, coisa de desaparecer com acentos, desaparecer, recende a Pablo Conejo, membro da egrégia e vetusta instituição. É, certamente, um traficante de tremas e vendê-las-á a quem mais pagar. Tremas no mercado negro da gramática internacional (ou universal, potser) devem valer uma fortuna; com alguns agudos e hífens de quebra.
O apelo também vale para os velhinhos de além-mar, da Academia de Ciências do Caldo Verde de Lisboa.
157. Curta carta aberta à Academia Brasileira de Chá e Bolacha
Sábado, 15-Set-2007 · Deixe um comentário
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