A gastronomia não é o forte do GB, mas eis um artigo que certamente irá parar nas páginas da Criativa (?) ou nos dará um quadro no programa da Palmirinha Onofre: Turismo e culinária ou Turismo gastronômico.
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Por incrível que possa parecer, não se trata de uma irônia: as coxinhas, pelo menos as boas, têm um lugar de origem, nem que seja simbólico. U’a Meca da coxinha? (espero que nenhum muçulmano leia o texto, senão, serei explodido junto com o cartunista dinamarquês). Sim, amigos, leitores e desafetos, existe u’a Meca da coxinha.
Bueno de Andrada é um distrito de Araraquara, Estado de São Paulo (ca. 275 km a NO da Capital); do centro da cidade ao distrito são cerca de 12 ou 13 quilômetros. Bueno, como é mais conhecido o lugarejo e assim é nas placas indicado, acessa-se através de uma estrada secundária, como quem sai de Araraquara em direção a Matão e Jaboticabal; pela via, muita plantação; não é como na Capital, onde os bairros se sucedem e se atropelam sem que se perceba: há uma grande área vazia entre os bairros periféricos de Araraquara e a sede do distrito de Bueno.
Que encontramos lá? A certa altura da estrada, um desvio; desvio que, umas duas centenas de metros depois, se torna a rua principal do lugar. À esquerda, a linha férrea, por onde hoje transitam somente os trens de carga, uma simpática estaçãozinha que atualmente abriga uma agência dos Correios, o cartório e a sede da sub-prefeitura de Bueno. Na rua principal, seguem-se quase uma dezena de lanchonetes e mais umas cinco barracas. Todas vendem a legítima coxinha de Bueno. Segundo dizem, somente um local é o verdadeiro mantenedor das legítimas, um pequeno bar de balcão de madeira e prateleiras velhas como o mundo, porém, como ainda não inventaram o selo de qualidade para as coxinhas de Bueno e muito menos uma denominazione d’origine controlata e garantita para as benditas, todos alardeiam as suas como sendo as legítimas por meio de placas e faixas com letras garrafais.
Consideremos, por concentração, que todas são legítimas e portadoras de uma ‘Bueno DOCG’.
Terça-feira de Carnaval, fim de tarde. Ei-nos em Bueno de Andrada. Pedimos as coxinhas numa barraca que tinha mesa de plásticos. A dita vetusta lanchonete detentora da ‘Bueno DOCG’ tinha uma fila pantagruélica; ficamos com a genérica. Servidas numa cestinha de vime, vieram fumegantes, imensas e douradas. Os guardanapos que forravam cesta por dentro estavam praticamente secos, o que significava que as coxinhas não iam fazer doer o fígado pelo excesso de óleo: estavam sequinhas. Sequinhas e crocantes.
De fato, mídia a parte, pois me parece que as famosas coxinhas já foram inclusive divulgadas pelo Polvo global, as coxinhas são realmente magnânimas. Depois de experimentá-las, você nunca mais terá coragem de atirar olhares famintos a coxinhas de rodoviária ou àquelas coxinhas solitárias, habitantes de estufas em botecos poeirentos das longitudes urbanas. Nada.
O que pode ter uma coxinha para torná-la algo especial? Não sei se há algum macete nas ‘Bueno DOCG’, ou magia, dedo maçônico, aldrabices comunistas. Não sei necas; só sei que são muito boas. É lá, meus amigos, no lugarejo de Bueno de Andradas, encravado em Araraquara, que moram as coxinhas.
O único porém de Bueno são os mosquitos (ou seriam mutucas e borrachudos) que são vorazes pelo sangue dos que se alimentam das coxinhas; ao entardecer, vêm numa nuvem ao pacífico distrito.







4 respostas até agora ↓
amandaosti // Segunda-feira, 18-Fev-2008 às 17:00 |
Realmente, a Gazeta contratar-te-á tão logo veja tamanha maravilha turística e gastronômica, rs…
Não conheço Bueno de Andrada, embora meu pai já a tenha citado alguma vez em suas andanças dos tempos de caminhoneiro. Quanto às coxinhas, nem as de Bueno, mon ami. As malditas impedem a concretização de meus intentos para 2008.
=*
Silmara Poli // Segunda-feira, 27-Abr-2009 às 21:40 |
Muito legal esse comentário, sou de Araraquara e trabalho com salgados “tenho uma lanchonete”, afinal sou revededora da coxinha de bueno, desta mesma pessoa na qual vc comprou, a senhora do carrinho, se não sabe a dela é original e não a do bar, toda a fama foi feita em cima desta batalhadora senhora do carrinho, como conheçemos da Nita, ela era funcionário da dona do bar, dizem que ela não cozinhava nada e a dona Nita era funcionária dela, qdo nosso grande Inácio de Loyola comeu foi a dela, a lei do mais forte prevalece, a fama e o dinheiro realmente dos mais esperto…valeu a estória! A que conhecemos em Araraquara é essa!!
Jotta // Terça-feira, 16-Jun-2009 às 18:35 |
Após degustar algumas vezes as “famosas” do tal bar, numa das minhas passagens pelo local o mesmo estava fechado. Dai resolvi experimentar da barraquinha(Nita) na praça.
Realmente são pra lá de especiais. Sem aquele tempero forte que deixa o estômago em brasas e a boca qual uma chaminé de refinaria queimando gases. Lá ouvi essa estoria, que não duvido em nada, por que já passei por isso na minha vida. Uma coisa posso afirmar.
As coxinhas dessa barraquinha são nota mil.
O que falta apenas é um outro ” famoso” passar por lá e dar o verdadeiro veredito público.
( À César o que é de César)
Moro em Taquaritinga e não conheço D.Nita.
Amanhã 17/06/09 passo por lá para petiscar
outras coxinhas. Sem remorso.
Ricardo Flávio de Carvalho // Segunda-feira, 05-Out-2009 às 14:04 |
Indo de São Carlos p/ Matão, resovi ir por esta estradinha pra não ter que pagar o caro pedágio da W. Luís. Me falaram sobre a coxinha e realmente são uma delícia. Passei a frequentar o ligar pelo menos uma vez por mês. Agora que estou em SP ficou mais difícil, mas neste feriado, indo pra Bebedouro, com certeza dou uma passada por lá….Quem puder, vá e eexperimente…não é exagero…vc vai perceber que nunca comeu nada igual….