Granada de bolso

202. A língua dos nossos reis

Terça-feira, 19-Fev-2008 · 1 Comentário

Por Joan Tudela

Celebramos agora os oito séculos do nascimento do maior dos nossos reis, Jaime, o Conquistador; e comemoraremos logo (em 2010) os seis séculos da morte do último dos nossos reis, Martinho, o Humano. Qual era a língua dos nossos reis?
Até onde sabemos, graças aos estudos de Martí de Riquer, nenhum dos nossos reis era monolingüe. Referimo-nos aos casos mais significativos. O primeiro conde-rei, Afonso, mal cognonimado o Casto, falava catalão – pelo lado paterno – e aragonês – pelo materno. Aprendeu ainda provençal, língua na qual escreveu poesia. Conde de Barcelona, rei de Aragão e marquês da Provença, expressava-se bem nos três idiomas. Jaime I conhecia bem o provençal, o aragonês e o catalão, lingua na qual redatou a sua crônica. Jaime II fazia juz ao cognome ‘o Justo’, porque dominava o catalão, o aragonés, o provençal e o siciliano, ou seja, as línguas de todos os povos sob a sua Coroa. Martinho, o Humano, último rei da Casa de Barcelona, falava catalão, aragonês e siciliano. E todos sabiam um pouquinho de latim, o que era necessário para compreender os documentos jurídicos correntes. Nosso reis, então, tinham como línguas próprias, e também de uso público, as línguas regionais dos países que em cada período faziam parte da Coroa de Aragão.
Na ponta oposta, o príncipe que um dia será Felipe VI ignora o catalão, o galego e o basco, as três línguas oficiais em extensos territórios do reino da espanha. Em 1979, o então senador Josep Benet pediu que a educação do herdeiro do trono incluísse o conhecimento das quatro línguas e culturas que coexistem no reino; sem resultado algum. E vamos anadando para trás, como os caranguejos.
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Traduzido e publicado com a autorização do autor. Original em catalão.

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