Granada de bolso

209. Desligamento

Terça-feira, 25-Mar-2008 · 7 Comentários

Os ônibus foram os primeiros. Obstruiram as grandes avenidas e corredores; os motoristas, inutilmente, tentavam dar a partida e os veículos não arrancavam. Depois foram os carros. Os luminosos apagaram. Depois de um dia de caos, à noite, as lâmpadas da iluminação pública não acenderam. Itaipú e Porto Primavera não desenguiçavam. Angra não engatava. As pessoas ficaram com medo. Nada de computadores, nada de microondas, nada de caixas automáticos. Dias foram se passando, sem rádio e sem televisão. Gente com pedaços de pau fazia guarda nas ruas. Fogueiras erguiam-se altas. Braseiros ostentavam panelas e bules. Escasseava a comida, que chegava limitada no lombo de burros e em veículos feitos carroças. O povo cansou; marchou em legiões com destino à campanha aberta e às florestas. Eis que retornava, para um pedaço de Humanidade, o glorioso período da caça, coleta e agricultura rudimentar.

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