Granada de bolso

219. Esdextrossinistrodirecionalmente

Terça-feira, 20-Mai-2008 · Deixe um comentário

Ouro, dólar, euro. Os homens-sanduíche. Milhares deles, com suas placas sebentas cobrindo os corpos decadentes, marchando em direção ao palácio do governo. A polícia não tem como pará-los, milhares. O exército tentou jogar os tanques, esmagam-se uns e outros ali, mas a massa de homens-sanduíche é inexorável e os tanques viram ilhas no mar de anúncios. Cercam o palácio do governo, ficam dias de pé, sem sentar-se, parados, esperando que o governador se renda. O governador mandou bombardear a massa, visto que era um atentado à ordem pública. Parte da massa, armada com suas tabuletas de mão, começaram a bater na cerca do palácio até derrubá-la. Os homens-sanduíche continuaram a avançar malgrado as balas, malgrado os mortos. O governador, isolado numa torre do palácio, escuta milhares de passos simultâneos aproximarem-se. Ouro, dólar, euro. Arrombam a porta da torre e encontram um homem de terno esparrapado, óculos quebrados, com as calças sujas do medo que se lhe vazou pelo ânus. Os dois mais próximos, um que anunciava fotos três-por-quatro e outro que anunciava empregos, pegaram o governador pelos braços e alçaram-no. Outro homem-sanduíche, esferogástrico e bigodudo investiu o governador de um manto de anúncios. Agora, o governador, devidamente investido das dignidades, era um deles também.

Categorias: Incompreensível

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