Granada de bolso

226. Sábios pensamentos engendrados pelo Conselheiro Gomes, o Chalaça, fiel servo de Sua Majestade Imperial, o senhor Dom Pedro I do Brasil e IV de Portugal

Sexta-feira, 20-Jun-2008 · 5 Comentários

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É sabido de todos que muitos homens e mulheres – principalmente estas últimas – defendem a tese de que o momento em que se realiza o despejamento das fezes deve ser considerado ad hoc, ou seja, não pode ser confundido com nenhuma outra atividade, por mais ligeira que seja, sob pena de tornar imperfeita a defecação.
Ora, minha teoria não poderia ser mais contrária a esta. É meu pensamento que, no momento em que essas impurezas desprendem-se do nosso corpo, está se abrindo, simultaneamente, um vazio dentro de nós, argumento que, creio, será referendado por todas as pessoas de bom senso e capazes de observação.
Admitindo-se, pois, essa premissa, decorre necessariamente uma pergunta. Como e com o que deve ser preenchido esse espaço oco do nosso ser? Eu respondo: com a leitura. Que entretenimento mais proveitoso poderia haver no mundo do que este em que nos livramos de uma substância fétida ao mesmo tempo em que aumentamos o nosso saber? Purifica-se o corpo, engrandece-se o espírito. Haverá receita mais sábia para o aproveitamento dessa hora?

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Extraído das fantásticas “Galantes Memórias e Admiráveis Aventuras do Virtuoso Conselheiro Gomes, o Chalaça”, tradizas à luz por José Roberto Torero. Companhia das Letras, p. 108

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