Depois de algumas relutâncias, o parlamento português aprovou em 16 de maio, o texto do Acordo Ortográfico de 1990. Uma das grandes esperanças dos contrários à reforma era justamente a relutância portuguesa em pôr o acordo em prática.
Fora as questões políticas, há as questões práticas. Penso eu: quanto tempo vou demorar para acostumar-me às novas regras, muito embora rezem de pé junto por aí que somente cinco palavras em mil sofreriam modificações no português escrito do Brasil, e essa taxa subiria a 16 por mil em Portugal, nos países africanos de língua oficial portuguesa (horrivelmente apostrofados em PALOPs), além da Lusitânia dispersa (Timor e Macau).
Como já tratei desse assunto anteriormente no blogue, volto à carga: para que essas mudanças? São mínimas e não trarão benefício algum. Ao contrário: justamente por causa da hesitação política e nos recentes deslocamentos de ar trombetados na imprensa, se tem levantado alguma celeuma. O pior é tratar disso na escola. Na escola onde faço os estágios da Licenciatura, tantos alunos perguntaram que tive de dedicar quase quarenta minutos de uma aluna para explicar a reforma, e com um pequeno agravante, não fazia dez minutos que eu havia explicado o uso do trema.
“Mas, professor, se a trema (sic) vai cair, por que que a gente tem que (sic) aprender?”. Pronto, furdunço armado. E eu justamente vinha tratando com eles a importância da norma no auxílio à compreensão geral, ou seja, caí numa armadilha que eu mesmo pus a isca. Isso se passou em abril.
Em maio, os parlamentares do caro país-irmão fazem-me esse grande desserviço. Já é verdadeiro malabarismo fazer com que pessoas que vivem imersas num mundo materialista e que tratam o conhecimento como um mero instrumento entenderem um mínimo da “norma”, que dirá uma nova alteração.
Há horas em que temos de ser taxativos: “A mudança só passa a valer quando for aprovada; o que não aconteceu”. Porém, Portugal vem desferir o golpe fatal e o Acordo Ortográfico, como um rolo compressor em alta velocidade, vem se aproximando. Todos saímos perdendo: nós, Portugal e todos os outros.
229. Lamentáveis novas sobre o estulto, inapropriado e profundamente desagradável Acordo Ortográfico da Língua portuguesa, onde os pares do reino manifestam sua nefasta opinão favorável ao despropósito institucional
Sexta-feira, 27-Jun-2008 · 4 Comentários
Categorias: Brasil · Burocracia · Defecações · Disparates · Europa · Incompreensível · Lingua · Política · Portugal · Reforma ortográfica · causa-mortis · entomologia · inutilidades






4 respostas até agora ↓
G // Sexta-feira, 27-Jun-2008 às 12:36 |
Concordo contigo!
Isto está tudo uma confusão.
E tornou-se mais numa guerrilha entre alguns que outra coisa!
Abraço!
jeff // Domingo, 29-Jun-2008 às 15:25 |
Isso é coisa de quem não tem nada melhor a fazer.
dida // Terça-feira, 16-Dez-2008 às 12:43 |
Se essas normas tiverem o intuito de aproximar os países de língua portuguesa, acho viável e apóio com toda certeza, porém, se ao invés de aproximar confundir e complicar, que aliás é o que me parece estar acontecendo, seria lamentável.
Fernando de Oliveira // Sábado, 25-Jul-2009 às 14:34 |
http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1380670
http://ciberduvidas.pt/pergunta.php?id=26568
Cumprimentos
Fernando de Oliveira