Granada de bolso

237. Tarde

Segunda-feira, 28-Jul-2008 · Deixe um comentário

Uma tarde cansada; um quê de cortina de ferro havia no sol que banhava a rua. O ar, quente, subia em ondas do chão. Nada. Uma tarde que era a eternidade. Deus deve morar num lugar assim, na fronteira da Alemanha Democrática com a Polônia. Mas estamos sob a sombra das bananeiras e, no poder, um general mal-humorado. Mas não deixa de haver certas semelhanças; porra, mas que cansaço! E é a tarde de uma segunda-feira. Mas quando se está desempregado, todas as tardes, de todos os dias, parecem domingos, mas domingos assustadores, calorentos, domingos de dezembro e janeiro, quando o azul do céu baixa sobre as nossas cabeças. Imagino os alemães na África; Hitler os mandou para lá, em tanques; que calor! Panzerdivision. Atrás de um portaõzinho baixo, dorme o vira-lata de estimação, esparramado, sem ânimo. Ninguém na rua. O tempo parece arrastar-se na cadência de uma marcha militar. Parece que o mundo está imerso em água de conserva. Que tarde cansada!

Categorias: Incompreensível · Vintage · comportamento

0 responses até agora ↓

  • Ainda não há comentários... Dê uma ajudinha preenchendo o formulário abaixo.

Deixe um comentário