Granada de bolso

242. Ladeira General Carneiro, 06:45

Segunda-feira, 18-Ago-2008 · 5 Comentários

As primeiras pessoas desembarcadas dos ônibus que as trouxeram do subúrbio começam a subir a ladeira. E a descê-la também. O movimento começa. As primeiras lojas começam a erguer ruidosamente suas portas de aço. Os camelôs montam suas barracas de quinquilharias várias. De uma porta estreita, esmagada entre duas lojas, um homem obeso empurra seu obuseiro da batalha diária. Alta qual um homem e coberta de chapas de aço, a máquina desliza sobre suas rodinhas; é uma máquina, ou aparenta sê-lo. Com um toco feito de caibro – de algum telhado desmanchado nas redondezas – o gordo estanca a sede de correr ladeira a baixo da máquina. Volta à portinha e de lá vem com uma grande caixa de papelão cuja face aberta está tampada por uma folha de jornal. Da caixa, cheia e manchas profundas de gordura e poeira, emerge um espeto de carne, cilíndrico, de quase um metro, um cilindro feito de raspas de carne. O gordo encaixa-o à máquina, acende-a – antes, liga o gás – e, com um motor elétrico, o espeto começa a fazer o mundo girar ao seu redor. Será repasto de muita gente, aqueles nacos gordurosos de carne salgados e apimentados, dentro dum pão, acompanhados ainda de um suco amarelo.

Categorias: Cidade · Crônicas · Quitutes e acepipes · comes e bebes · escritos

5 respostas até agora ↓

Deixe um comentário