23. Um guia inútil para uma eleição inútil

Devo confessar que estou meio que por fora do processo eleitoral. Há motivos claros para tal: por exemplo, este ano não houve a costumeira imundície que costuma tomar a cidade de assalto, com as horrendas faixas e os panfletos, graças a alterações na lei eleitoral. Claro que há santinhos, como aquele que ganhei das mãos do cobrador do ônibus que pego, santinho que além de ostentar a faccia tosta do candidato a deputado estadual, tinha a facha do próprio cobrador, que não era (por ora) candidato, mas que certamente está ensaiando.

Além do mais, como nenhum dos candidatos aí presentes ao pleito lá me agrada muito, não acompanhei os debates (nem os dos candidatos à Presidência da República ou ao Governo do Estado), embora saiba que os dos presidenciáveis estiveram desfalcados pela ausência do Excelentíssimo e Actualíssimo Presidente da República, o sr. Luís Inácio Lula da Silva.
Ao escrever este texto ridículo, não tenho por intenção influenciar ou moldar o pensamento de quem me lê, isso é trabalho para os imbecis formadores de opinião. Ao contrário, o voto é de cada um e cada um faz o que bem entende. O que me irrita profundamente é a campanha pelo «voto consciente» desencadeada pela mídia e que já se incorporou ao vocabulário e ao ideário da choldra. É certamente de grande conveniência às classes dirigentes (já que o termo «elites» é-me vetado) que estão no poder há tanto, que a pessoa «escolha», que se sinta obrigada a escolher um candidato; é assim que se elegem a escumalha que povoa o Parlamento Federal e os parlamentos estaduais. Sou contra o «voto consciente», em contrapartida ao desprezo que os eleitos têm com a sua base eleitoral, que dizem representá-la e, como é notório, representam sempre a si mesmos e seus bolsos ávidos pelas grassas verbas de representação.
O voto é secreto – como dizem tantos – por isso, evito dizer o vou fazer com o meu. E quanto ao vosso, façam o que quiserem, mas não se deixem engolir pelo bombardeio do bom-mocismo.

Um bom domingo de votação para todos.

4 responses to “23. Um guia inútil para uma eleição inútil

  1. Pensei em votar nulo, como muitos que aqui e aí estão, espalhados pela Rede. Porém, na atual circunstância, seria o mesmo que reentronizar o Effelentífimo. Votarei em Cristovam, por exclusão. Pareceu-me o mais distinto e cavalheiro de todos os candidatos, opinião que talvez eu não tivesse se morasse no Distrito Federal ou tivesse estudado na UnB. E, havendo 2º turno, voto no Chuchumbo – com dor no coração, mas voto.

  2. E eu me encontro na mesma situação, Sérgio…

    Um abraço.

    P.S.: “Chuchumbo” (hahahahahaha). Essa foi ótima!

  3. Bom-mocismo é o que há de pior. Votarei nulo, gosto do Cristovam, parece-me ajuizado, mas, ando tão desencantado que a impressão que me dá é a de que todo e qualquer candidato em que eu votar se renderá ao aparato burocrático e fisiológico de Brasília; como o Lula.

  4. Donato, «antes o poço da morte que tal sorte».

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