62. O orifício de Sua Excelência

Cuidado com o buraco do Alckimin! E que buracão, hem! Dá até pra esconder uma candidatura à presidência inteira ali. Em São Paulo, a locomotiva do país emperrada pelo tucanato, uma metáfora do futuro que nos espera sob o signo do capital: o buraco que tudo traga e vai aumentando. Se eu fosse Strauss e o buraco fosse no metrô de Viena, não hesitaria em fazer uma valsinha lembrando o fato: Der U-Bahn Loch (O buraco do metrô) ou então Tucan in der Loch (Tucano no buraco).

O ocorrido evidencia um problema que não tem relação somente com o Tucanato, mas é um vício generalizado no país: é o uso de obras públicas com fins eleitoreiros. O muro de contenção rasgou-se como um pedaço de papel-cartão. Coisa muito mal feita. E é sempre assim: o Governador pressiona o Secretário dos Transportes Metropolitanos, que pressiona o Presidente do Metrô, que pressiona o Supervisor de Obras, que pressiona a Construtora, que pressiona o responsável pelas obras, que pressiona a equipe de trabalho, para que faça as coisas mais rapidamente. A ganância eleitoral, como um buraco, traga tudo para si.

O triste é saber que, de tudo isso, pagará a culpa algum bode-expiatório, como o responsável técnico, o engenheirozinho burocrata, que só assina pedidos de material e os projetos que a equipe desenha. Aquele que provavelmente menos tem ligação com tudo isso e passava os dias sentado à beira do buraco, olhando os homens trabalhando, e os homens lá embaixo o viam e pensavam consigo «vamo’ mais rápido que o Doutor ‘tá lá olhando…».

Foi triste ver o muro de contenção rasgar-se como a fôrma de papel de um panetone, e ver os caminhõezinhos – que pareciam pequenos mostrados pela televisão – despencando buraco adentro. Imagino o responsável pela obra, que provavelmente vistoriava algum dos outros buracos, como o da avenida Vital Brasil, por exemplo, e foi avisado pelo nextel barulhento.

Ou a cara dos manda-chuvas da Oas ou da Oderbrecht, ou do Secretário dos Transportes Metropolitanos. Gente assustada, não pelo ocorrido ou pela van que até agora diz-se que sob os escombros está, mas cada um pelos seus motivos e pelos seus pescoços.

7 responses to “62. O orifício de Sua Excelência

  1. Não há limites para o que esses tucanos mancomunados com o demônio podem fazer. Meu vizinho mesmo: morreu de infarto. Um tucano miniaturizado entrou na coronária dele e zás, rasgou-lhe o coração.

  2. Bem, Orlando, eu teria criticado o que aconteceu independente de terem estado os tucanos frente ao Governo do Estado ou não. Mas foram eles e a obra foi feita a toque de caixa. Agora, que paguem pela culpa. Se não causam a morte das pessoas por causa direta, muito já fizeram indiretamente com a poliitica econômica que estrangula o crescimento econômico e deixa milhões abaixo da linha de pobreza. E o que mais me deixa indignado é que tal política continua sendo seguida pelo governo petista. Que Deus tenha piedade de nós todos, porque o futuro é negro.

  3. o que é que foi isso, hein? me basta virar as costas (estava em petrópolis, tomando chá com o imperador), e me aparece uma cratera do tamanho do morumbi no meio da cidade (só fiquei sabendo hoje pela manhã)? jesus!
    dom pedro II jamais deixaria uma coisa dessas acontecer.

  4. Sabe, Dani, ponho um outro ponto de vista: algumas pessoas me criticam por eu ter uma postura estatista, mas, se ao invés de quatro empresas privadas construindo a linha, fosse ainda o Departamento de Obras da própria Companhia do Metrô, teria isso acontecido?
    Se não, mostra que os privados têm se sujeitado ainda mais aos interesses políticos que a tão «monstruosa» máquina pública.

  5. Realmente, uma indignidade. Concordo com suas posições, Sérgio. O que mais me chamou a atenção foi que a imprensa (pelo menos os jornais virtuais que eu li), quando do noticiamento do desabamento, não ter mencionado o fato de haver pessoas soterradas. Eu até havia pensado (e achado realmente um milagre!) ninguém ter-se machucado. E quanto ao fato de ser o PSDB (sem a “demonização” a qual o Orlando se referiu), é inegável que essa nova linha do metrô foi uma estratégia eleitoreira (assim como foi a implementação precipitada dos CEUs durante a gestão do PT na prefeitura de SP).

  6. Ótimo exemplo, Cícero… pra não dizerem que eu só falo mal dos tucanos. EAinda lembrando, e misturando alhos e bugalhos, o aumento dos deputados que foi proposto e teve adesão coletiva dos deputados governistas, inclusive do próprio Presidente do Congresso, o deputado comunista Aldo Rebelo.

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