76. Capitalismo selvagem e privatismo bacalhau

Bacalhau é o preenchimento de espaços entre vigas com pedaços de metal e solda. Foi o que fizeram na estrutura metálica da futura estação Fradique Coutinho – isso é, se a linha 4-amarela efetivamente ficar pronta.
Depois da abertura da cratera do poço vertical da estação Butantã é que a podridão começou a aflorar: naquela mesma sexta-feira, o Consórcio Via Amarela entregou laudos ao Ministério Público com a licença ambiental vencida: um castelo de cartas marcadas.
Desde então, ficou patente a voracidade das empreiteiras envolvidas. A busca do lucro desenfreada fez com que optassem por métodos baratos e nem sempre seguros de construção, o que causou o desabamento em Pinheiros e agora traz receio à circunvizinhança da esquina entre a rua Fradique Coutinho e a avenida Rebouças. Tudo feito a toque de caixa e sem a menor preocupação dos efeitos, assim como na Inglaterra da Revolução Industrial. O Consórcio é Via Amarela, amarela de hepatite.
Há a possibilidade, caso haja problemas mais sérios e «contradições» indicadas nos laudos pedidos pelo Ministério Público, de outras empreiteiras assumirem as obras.
No tempo em que as empreiteiras somente faziam as obras, como em todas as outras linhas do metrô, não se via tantos problemas. Agora, quando elas são postas a construir, a administrar e, futuramente, a operar a linha, o grito do lucro impõe-se sobre qualquer outra coisa. Inclusive a segurança.
Tanto é lucro que, duvido que essas companhias viessem a licitar uma duplicação de linha na Zona Leste, por exemplo, local que carece de mais infraestrutura metroviária e onde outra linha viria muito bem a calhar. O traçado básico da linha bordeja os Jardins, região cujo IDH é similar ao da Bélgica.
E sabe quando vai sair a extensão até Taboão da Serra? Nunca. Essas empresas querem somente o lucro e estações onde seja fácil a administração. Por que não foram meter-se a terminar a linha 5-lilás? Assim como o Metrô jamais chegará ao Taboão, também não chegou a Guaianazes, onde as estações chegaram a ficar prontas, a dita extensão da linha 3-vermelha (estações José Bonifácio, Pêssego e Guaianazes) passou para a mão da CPTM (talvez numa negociata envolvendo as obras paradas da então futura linha G da CPTM que virou a 5 do Metrô).
O transporte público virou mercadoria na mão da corja da linha 4-Amarela. E sabe a amarelo-PSDB.
E por fim, surge, José Serra, Salvador e Condutor do Povo Paulista, a clamar e decretar a interrupção das obras. Agora é tarde.

3 responses to “76. Capitalismo selvagem e privatismo bacalhau

  1. O pior é que são todos amigos, Sérgio… Jantam uns nas casas dos outros… Todos são amigos…

  2. Devem é jantar bacalhau. E no restaurante A Bela Sintra.

  3. vejo as obras do metrô paradas e comparo-as às obras do “fura-fila” que deveriam ter 32km e têm 8. Será que vamos ficar assim? uma linha roxa-lilás que não resolve nada, uma linha amarela amaldiçoada (segundo minha faxineira) e um fura fila frustrado.
    capitalismo isso? non non. meramente mãos inábeis brincando de governar. capitalismo pediria lucro, faria tudo com satisfação e agilidade para GANHAR DINHEIRO. e isso que vemos na administração pública é apenas dinheiro jogado no lixo.

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